sumidouro
não se expõe
vez em nunca deixa algum pingo d'água escapar,
é a natureza…
do medo?
de se machucar.
caminha escondido
nas tormentas de si mesmo
mal respira,
corpulento.
sem ruídos,
mansamente,
desgasta por fim
o sólido aparente.
articulações articuladas
transparências
notas sobre um diálogo.
e aceitar que de tudo fica um pouco é a parte mais difícil. essa parte que fica, parte difícil e pouca, ou muita. mas o que fica será tudo ou um pouco? mas se fica, talvez seja bastante pra compor um todo, alguma certeza, ou talvez isso que fica, mesmo significante, não seja suficiente, e vire pouco, perto de um muito. e o medo é agravante…medo de errar, de escolher e errar, e de não ter certeza e errar, e errar na certeza, talvez o pior. e se se deixar sentir não for suficiente? for dual? for complementar? como dividir? esse medo aprisiona, medo de sentir, medo e sentir.
nó (ou engasgando a si mesmo)
medo
laçando-se à
ausência-estima
exalando anciosamente
insegurança
oxidação (ou redução de mim)
inteiro corroendo,
por lágrimas,
virando outro,
corroído.
e agora,
corrosivo,
acaba por se destruir,
por inteiro.
há muito tempo que já se enraizara e crescera nele toda a tristeza que sentia agora; nos últimos tempos ela se acumulara e se reconcentrara, assumindo a forma de uma horrível, bárbara e fantástica interrogação que torturava o seu coração e a sua alma, reclamando uma resposta urgente.
calo
vontade de cutucar
aquilo tudo que por cansaço contraiu hábito
tornou-se insensível, beirando ao imperceptível.
uma imensidade,
lisa,
sem arestas com as quais se deparar
e tentar aparar.
um tudo sem exigências,
raso
no qual só se resta sobrenadar.
desespero por ter perdido o sentido de sentir.